18-10-2017

A Região de Lafões


Barragem Ribeiradio (Oliveira Frades)

Aldeia da Pena (S. Pedro Sul)

Ponte Comboio (Vouzela)

 

" Situada na parte mais ocidental da Beira Central, a Região de Lafões é uma sub-região natural, constituída pelas terras tributárias do curso médio do Vouga e dos seus afluentes Sul e Ribamá que, vindos de margens opostas, confluem junto de S. Pedro do Sul.

 

De Lafões fazem geograficamente parte os concelhos de Oliveira de Frades, Vouzela e S. Pedro do Sul, as freguesias de Cedrim e Couto de Esteves (do concelho de Sever do Vouga), Alva e Gafanhão (do concelho de Castro Daire) e parte das freguesias de Bodiosa e Ribafeita (do concelho de Viseu).

Possui esta região características próprias que a distinguem das regiões vizinhas. O geógrafo Amorim Girão considera que ela constitui "um todo homogéneo, correspondendo a uma verdadeira região natural". Também Leite de Vasconcelos diz que "existe uma unidade territorial ou sub-região denominada Lafões" .

Servindo-nos do estilo lapidar de Raul Proença, diríamos que "Lafões é uma formosa região que se esconde entre o Maciço da Gralheira e o Caramulo, cortada pelo rasgão do Vouga", que, aproveitando fracturas naturais ou furando rochas, lá vai a caminho da Beira-Mar.

Sem quebra da sua unidade geográfica, Lafões é uma região diversificada, a lembrar umas vezes o Douro, com culturas em socalco, outras vezes o verdejante Minho, não faltando até, nalguns lugares, a "vinha de enforcado". O seu finíssimo vinho verde pede meças ao do Minho, sobretudo se a acompanhar a afamada vitela de Lafões ou o cabrito da Gralheira .

Mas não há progresso que empobreça as belezas naturais de Lafões! E, se Lafões possui uma unidade geográfica, uma notável unidade histórica lhe corresponde. Quem percorrer a região sentirá, por toda a parte, os apelos da História.

Remontam a recuadas épocas pré-históricas os primeiros sinais de povoamento. Por toda a Região de Lafões, restam vestígios de populações neolíticas, que, sobretudo em pontos elevados de terras graníticas, construíam as suas habitações, inumavam os seus mortos em dólmens e mamoas e, nas pedras das encostas dos montes, gravavam sinais, provavelmente relacionados com os monumentos funerários.

Ao lafonense Professor Amorim Girão pertence o primeiro levantamento dos monumentos pré-históricos da região. Regista 3 cavernas, 5 grutas, 18 antas, 10 antelas , 74 mamoas , 2 menires, 20 castros e 5 lajes com inscrições. Tudo quanto se conhecia em 1921, data em que publicou a sua dissertação de doutoramento. Trabalho utilíssimo, até porque, se alguns monumentos que regista podem ainda hoje ser observados, de outros mais não restam que apagados vestígios, quando não apenas o registo daquele investigador ."


 

Caracterização do Concelho de Vouzela:

Vouzela é um concelho com uma localização privilegiada, uma vez que sendo uma região de interior se encontra bastante próximo do litoral, distando cerca de 50 km da orla marítima.

Esta localização privilegiada estende-se ainda ao nível dos eixos rodoviários: o concelho é atravessado no sentido Poente – Nascente pelo A 25, o principal eixo de ligação de Portugal com o resto da Europa, e dista cerca de 40 km do Auto-estrada do Norte (Lisboa – Porto).

Ocupa uma área de 193,70 Km2, o que corresponde a cerca de 5,5% da área da sub-região, faz

parte do distrito de Viseu, da Circunscrição Florestal do Centro, do Núcleo Florestal Dão-Lafões sendo constituído por 12 freguesias: Alcofra, Cambra, Campia, Carvalhal de Vermilhas, Fataunços, Figueiredo das Donas, Fornelo do Monte, Paços de Vilharigues, Queirã, São Miguel do Mato, Ventosa e Vouzela.

Áreas predominantemente rurais, com excepção de Figueiredo das Donas, São Miguel do Mato e Vouzela, áreas mediamente urbanas.


 

Caracterização do Concelho de S. Pedro do Sul:

S. Pedro do Sul é uma vila beirã que se situa em pleno vale de Lafões, emoldurada pelos maciços das serras da Arada, Gralheira e S. Macário. Estas serranias com as suas paisagens verdejantes, os seus riachos de água fria e cristalina, as suas aldeias escondidas nos vales e montanhas aliadas ao magnífico pôr e raiar do sol, dos quais se pode desfrutar, constituem um pedaço do mundo que serve de refúgio aos Deuses da inspiração.
Do alto da serra do S. Macário o raiar do sol é mais bonito, as cores fortes que se deslumbram, nas paisagens são um regalo para as vistas, todos dizem serem de criação divina. Dos 1054 m. Do monte podem-se avistar as serras do Montemuro, da Estrela e a serra do Caramulo, vê-se todo o verdejante vale de Lafões e em dias de maior nitidez avista-se, no Porto, a Torre dos Clérigos.

Nas serranias a vida corre ao sabor da calmaria do tempo e num espaço que chega para que todos vivam em harmonia com a natureza e é desta que se extrai o xisto para construir as casas típicas, das típicas aldeias da Pena, do Fujaco, de Covas do Monte ou Covas do Rio. Aldeias abençoadas pelas centenárias capelas de S. Macário de cima e a ermita S. Macário de baixo. Todo este maciço montanhoso do “Monte Magaio” vive envolto em tradições, rituais, mitos, lendas, crenças de cabras que matam lobos, de serpentes que comem homens e de santos que transportam brasas acesas nas mãos, cujas memórias não se apagaram no correr dos novos tempos.

Quem sobe a serra da Arada depara-se com uma sumptuosa simplicidade de fragas e desfiladeiros com pequenas aldeias e águas límpidas a verem-se no verde dos vales, que contrasta com o tom das rochas comuns nas elevações da Arada.
A aldeia da Coelheira é marcada pelo magnífico tapete de carqueijal, bem aparado pelos rebanhos de ovelhas, cabras e cabritos que por ali são habituais clientes. Também um lago, num planalto da serra, com as suas trutas saltando e borbulhando, faz parte de um horizonte pastoral e sereno.
Mais adiante, seguindo a estrada, fica a aldeia do Candal, com os seus típicos conjuntos rurais. Quem vier pode ficar no parque de campismo da coelheira ou numa das aconchegantes casas de Turismo Rural que também lá existem. Estes são equipamentos de grande procura, pois o turismo de Montanha está a ganhar cada vez mais adeptos, e com montanhas como as do concelho de S. Pedro do Sul vale bem a pena!
A serra da Gralheira é um maciço que se começa a elevar a partir das margens do rio Baroso, onde se situa o antiquíssimo “Real Mosteiro de S. Cristóvão de Lafões” , remontando a sua origem a um período anterior á fundação da nação, e num local, onde a proximidade com os elementos da natureza faz estimular as virtudes do espírito.

Começando a subir, serra acima, chega-se aquela que já foi a aldeia mais portuguesa de Portugal, estamos a falar da aldeia de Manhouce, com todas as suas tradições etnográficas, artísticas e gastronómicas, muito apreciado é o cabrito assado da Gralheira. Logo, ali perto, fica o Porto, cidade mãe de muitos daqueles que nos visitam e que bons fins de semana passam na chamada “Sintra da Beira”.
A gentil franqueza dos povos serranos faz-se notar na fraternidade com que nos obsequeiam, com o bom presunto e broa caseira, a também caseira chouriça e a tradicional aguardente ou o fino copo de vinho verde de Lafões. São pessoas afáveis e sinceras, sempre dispostas a dar preciosas informações acerca da região e dos seus lugares Escondidos que merecem uma visita.
S. Pedro do Sul, o canteiro mais florido de Lafões, contém em si as paisagens infinitas que os nossos olhos podem ver; povoadas de mil cores e cheiros que as muitas árvores e flores exaltam o suave perfume agreste; de cima das verdes ramagens vê harmoniosas melodias com que os rouxinóis nos saúdam e a fome e a sede podem ser mortas com sabores da serra.


 

Caracterização do Concelho de Oliveira de Frades:

O concelho de Oliveira de Frades situa-se no distrito de Viseu, na sub-região de Lafões, numa zona de transição entre a Beira Alta e a Beira Litoral, tal como os concelhos de Vouzela e de S. Pedro do Sul.

Com uma área total de 142 quilómetros quadrados, o concelho é composto por 12 freguesias. São elas: Arca, Arcozelo das Maias, Destriz, Oliveira de Frades, Pinheiro, Reigoso, Ribeiradio, S. João da Serra, S. Vicente de Lafões, Sejães, Souto de Lafões e Varzielas.
O concelho faz fronteira com Vouzela, S. Pedro do sul e Tondela, do distrito de Viseu, e com Águeda, Sever de Vouga e Vale de Cambra, já pertencentes ao distrito de Aveiro.
O Rio Vouga, as Serras da Gralheira e do Caramulo são aspectos geográficos fundamentais que caracterizam o relevo e as paisagens da região.


 

Resenha histórica:

“Oliveira de Frades é terra antiquíssima. Comprova-o a Carta de Couto e Confirmação de Doação do Couto da Vila de Ulveira, aos frades de Santa Cruz de Coimbra, de 1169, concedida por D. Afonso Henriques, no Balneário de Lafões (actuais Termas de S. Pedro do Sul), onde se encontrava em tratamentos após a queda do cavalo, durante o cerco de Badajoz”, pode ler-se no endereço electrónico da Câmara Municipal de Oliveira de Frades.

O desejo de independência e liberdade que dominava o espírito das gentes daquela terra viria a concretizar-se na segunda metade do século XIX. Em 1835 a autonomia concelhia foi reconhecida mas, no ano seguinte, a 06 de Novembro o concelho foi extinto. No entanto, a 07 de Outubro de 1837, por Decreto de D. Maria II, deu-se a restauração definitiva do concelho de Oliveira de Frades.