18-10-2017

Património


Pedra das Ferraduras Pintadas

A PEDRA DAS FERRADURAS PINTADAS, na povoação de Benfeitas, freguesia de Destriz. É um laje de granito, com cerca de 6,5 m. de comprimentos por 3,5 m. de largura. Tem gravados vários sinais, já bastante apagados. Predominam sinais em forma de ferradura e muitos pontinhos. Não há indícios de cores.
A imaginação popular arranja sempre explicações mais ou menos lendárias. Ali estariam gravados "os pés de todos os animais que havia em outro tempo" e é também tradição que era naquele rochedo que "as Mouras traziam o ouro ao sol".
Na opinião de Amorim Girão, poderia ser a representação de corpos celestes e o conjunto representaria um mapa astronómico.
Concelho:  Oliveira de Frades

O Dólmen de Espírito Santo de Arca

O DÓLMEN DE ESPÍRITO SANTO DE ARCA (Pedra dos Mouros), na freguesia de Arca. É um dos mais belos dólmens da Beira. E dos mais conhecidos, até porque a sua fotografia tem aparecido a ilustrar alguns compêndios escolares. A tampa mede 4,2 m. de comprimento, por 3,2 m. de largura e está sustentada por três altos esteios (há restos de outros, partidos) a 4,5 m. do solo, permitindo, como diz Amorim Girão, "passar-se a cavalo por baixo e impedindo subir a ela sem auxílio de uma escada".
A este monumento megalítico anda ligada a lenda de uma moura que teria erguido a pedra e ali guardaria tesouros, dos quais alguns gananciosos já tentaram apoderar-se, sem que o tenham conseguido, apesar das rezas do livro de S. Cipriano.
Datará de finais do século XIX a primeira referência existente sobre a “Anta da Arca”, erguida no Neo-calcolítico desta zona do actual território português. Deve-se esta menção a José Leite de Vasconcellos (1858-1941), então já na qualidade de director do Muzeu de Ethnologia Portuguez (MEP), que a menciona numa das edições da referencial revista da especialidade, O Archeologo Portuguez, em 1898, onde manifestava a intenção de a explorar, tal como sucedia noutros arqueosítios dos quais tinha conhecimento. Exploração essa que teria lugar apenas em 1921.

Foi classificada como Monumento Nacional pelo Decreto de 16 de Junho de 1910
A Anta da Arca está situada em Paranho de Arca, Arca (Oliveira de Frades), na EN230, entre Águeda e Caramulo, Km 48,5, acesso à esquerda em Paranho de Arca, cerca de 50 m de caminho de terra.

Concelho:  Oliveira de Frades

Anta Pintada de Antelas

A anta pintada de Antelas (Pinheiro de Lafões, Oliveira de Frades, Portugal) é um monumento nacional desde 1990, devido ao grande interesse das pinturas rupestres, a vermelho e a preto, que decoram a sua câmara, e sem dúvida as melhor conservadas de toda a Península Ibérica. De acordo com as datações obtidas pelo Carbono 14, a sua construção terá ocorrido no IV milénio a.C..
É constituída por uma câmara funerária, com oito esteios, de granito, com cerca de 2,5 m de altura, e um corredor ortostático, diferenciado da câmara, em altura e em planta, abrindo-se aproximadamente a nascente.
No interior da câmara todos os esteios têm pinturas bem conservadas e algumas pequenas esculturas, com representações geométricas, abstractas e figurativas (a cor de sangue e zarcão) que poderão ser representações dos sepultados, símbolos de purificação, deuses, figuras astrais e elementos da natureza, constituindo a pedra da cabeceira, o centro da composição pictórica.
(Fonte: Wikipedia)

Concelho:  Oliveira de Frades

Albergaria - Hospital de Reigoso

A ALBERGARIA-HOSPITAL DE REIGOSO foi fundada em 1195, por um como reza uma inscrição latina gravada numa pedra calcária do arco cruzeiro da igreja daquela freguesia. Revelou esta inscrição e dela deu primeira notícia, em 1921, Amorim Girão. Este edifício terá sido mandado construir põe , um antigo alcaide ("pretor", no latim bárbaro) de Coimbra, de nome Cerveira.
A Albergaria manteve-se durante séculos e deve ter desempenhado papel importante no campo assistencial da região, porquanto aparece referenciada em vários documentos das chancelarias reais, muitas vezes designada por Hospital de Reigoso.
Em 1758, em resposta aos Inquéritos Paroquiais, diz o pároco da freguesia: "...tem (Reigoso) uma albergaria com a obrigação de quatro camas, agua, lenha, lume, candeia e sal, que administra o parocho sem renda alguma mais os quartos que se pagarão á Igreja por ser instituída pelo fundador da mesma igreja e por isso não se paga dizima nem premissa"
No seu último escrito sobre este assunto (1932), diz-nos Amorim Girão que, em 1906, o que restava do edifício da Albergaria e passara a fazer parte do passal foi vendido como bens nacionais, como se lê na carta de arrematação, onde se fala de "um prédio que consta de uma casa desmantelada, conhecida por casa do hospital". E os velhos da povoação lembravam ainda uma mulher que servia de "hospitaleira" e vivia de um subsídio que lhe dava o pároco.
Da Albergaria de Reigoso, para além da inscrição latina, que se encontra na igreja, ficou outro testemunho material importante: um marco que assinalava o hospício e que o povo chamava "Padrão da Albergaria", Encontrava-se no fundo da povoação, à beira da estrada romana Viseu-Águeda, que continuou a ser importante itinerário medieval. É um grande bloco de granito - actualmente à guarda da Assembleia Distrital - em forma de paralelepípedo, com 0,45 de aresta de base quadrada e 2,14 de altura. Tem gravada a seguinte inscrição:
PEREGRINO
VINDE AO HO
SPITAL DER
EIGOZO QEU
VOS DAREY
CAZA CAM
A AGOA FO
GO AZEYTE
E SAL
A inscrição convidava o peregrino a acolher-se ao Hospital de Reigoso, onde encontraria casa, cama, água, fogo, azeite e sal.

Concelho:  Oliveira de Frades

Palácio do Marquês de Reriz

PALÁCIO DO MARQUÊS DE RERIZ, pesada e imponente construção setecentista. Na fachada principal, quatro janelas e o brasão dos Almeidas, a encimar a portada. No flanco lateral, ao longo da Rua Direita, uma extensa fiada de janelas de sacada.
É "Imóvel de Interesse Público", por Decreto n.º 129/77, de 29 de Setembro.
No declinar do século XIX, ali se albergou, por mais de uma vez, a última Rainha de Portugal, nos períodos de tratamento nas Termas.
No fim da tarde do dia 5 de Junho de 1894, chegava a S. Pedro do Sul luzido cortejo de "mais de 30 carruagens", que, desde Viseu, acompanhava a rainha e os infantes D. Luís Filipe e D. Manuel. Após solene "Te Deum", na igreja matriz, a família real instalou-se no Palácio do, então, Conde de Reriz, onde permaneceu até ao dia 27. Na véspera da partida, chegava D. Carlos, que ali pernoitou, regressando a Lisboa toda a família real.
No ano seguinte, a Rainha voltou e de novo se albergou no Palácio do, agora, Marquês de Reriz, título que lhe havia sido concedido, em paga do fidalgo acolhimento do ano anterior. De 18 de Maio a 11 de Junho, a nobre mansão passou a ser, de novo, uma pequena corte. Os próprios convites que a Rainha endereçava eram encimados pela expressão "Real Paço de S. Pedro do Sul".

Concelho:  São Pedro do Sul

Castro da Cárcoda

Situado num contraforte da serra da Arada, a cerca de 2,5 Km da sede da freguesia. A origem etimológica de Cárcoda deriva do vocábulo erudito Carcova, que significa: passagem escondida, passagem secreta ou subterrânea. Já a origem cronológica deste povoamento fortificado remonta á idade do Bronze, prolongando-se a sua ocupação até ao período Romano. Tem, portanto, a designação de Castro Romanizado.
Tal como as outras construções deste tipo, também o Castro da Cárcoda é circundado por uma dupla muralha, e dois cursos de água, que constituía um excelente sistema defensivo para os seus habitantes.
No interior da muralha, a zona de habitação era disposta em pequenas plataformas onde se construíam as habitações, em pedra, com paredes de mais de 2 metros de altura no momento da sua descoberta. As casas, construídas pela sobreposição de pequenas pedras assentes em barro, eram construídas em forma circular, oval ou rectangular, com coberta de tégulas e ímbrices.
Tem uma área que se calcula de 10 hectares. Foi revelado em 1954 pelo Prof. Correia Tavares, que deu primeira notícia pública. Desde logo, suscitou o interesse de especialistas, nomeadamente dos Professores da Universidade de Coimbra, Amorim Girão e Bairrão Oleiro, que, por delegação da Junta Nacional de Educação, passou a orientar o Prof. Tavares nas sondagens efectuadas. Em duas campanhas de escavações, realizadas em 1954 e 1955, foram postas a descoberto 24 das muitas dezenas casas que formam o castro. Em 1956, o Prof. Tavares, em comunicação ao XXIII Congresso Luso-Espanhol para o Progresso das Ciências, realizado em Coimbra, apresentou o resultado das suas pesquisas. Em trabalho posteriormente publicado, dá conta do que foi a sua actividade, nos anos de 1954-55 17.
As primeiras escavações efectuadas, puseram a descoberto um vasto espólio arqueológico que compreende cerâmica, vidros, metais, moedas, gravuras rupestres, pias rasgadas na rocha, instrumentos em bronze e ferro, e outros objectos lípticos, que se encontram na “Colecção Distrital de Viseu” tendo já estado exposto com todo o destaque, no “Museu Nacional de Arqueologia”, em Lisboa.
Em 2000 foram efectuadas escavações no Castro, coordenadas pela arqueóloga Drª Ivone Pedro. Este trabalho, ainda em fase de execução, realizou-se no âmbito de uma candidatura ao programa Leader II, que além da limpeza dos 7 hectares do terreno, permitirá melhores acesso, a vedação, sinalização, reconstrução de três casa castreja e a implantação de um posto de informação e de outro mobiliário.
Pelo seu elevado interesse, o Castro da Cárcoda foi classificado "Imóvel de Interesse Público", por Decreto n.º 40.361, de 20 de Outubro de 1955.

Concelho:  São Pedro do Sul

Casas da Comenda de Ansemil (actual Quinta da Comenda)

Imaginemo-nos saídos de Viseu, a caminho de S. Pedro do Sul. Pouco antes desta Vila, à margem esquerda da estrada, encontraremos um conjunto senhorial do século XVIII. São as CASAS DA COMENDA DE ANSEMIL.
Na fachada principal da Casa, a Cruz de Malta assinala a posse da Comenda pela Ordem de S. João Baptista do Hospital e a data de 1745, o ano da reconstrução do edifício.
Mas a Comenda de Ansemil é muito mais antiga, anterior mesmo à fundação da nacionalidade. Nas Inquirições de D. Afonso III, disseram os jurados que "villa de Gogia est de Hospitali (...) et Domina Tarasia, Regina, dedit ipsam villam Hospitali", isto é, D. Teresa (mãe de D. Afonso Henriques) doou Goja aos Hospitalários, "podendo concluir-se, com segurança, - escreve o Dr. Alexandre Alves - que nesse tempo já os homens do Hospital estanciavam em Ansemil"3.
Já se fantasiou e se escreveu que, na Casa da Comenda, se alojou D. Afonso Henriques, quando, em 1169, veio ao Banho (Termas de S. Pedro do Sul) fazer tratamento. Em artigo que publicámos nesta revista4, mostrámos, com boas razões - e não vamos repetir os argumentos - que tal pretensão não tem o mínimo fundamento documental, ou sequer de tradição. E reforçávamos a nossa argumentação, escrevendo que, se a presença do rei na Comenda tivesse algum fundamento, o facto não teria escapado aos historiadores das várias épocas, nomeadamente ao probo investigador que é o Dr. Alexandre Alves, no seu trabalho "As Casas da Comenda de Ansemil", que atrás citámos.
Fechado este parêntesis, continuemos.
Com o decorrer do tempo, a Comenda tornou-se senhora de muitos bens. Uns lhe foram doados, outros foram comprados e de outros os comendadores se apoderaram pela força. Era vulgar os poderosos "filharem " bens, especialmente pertencentes à coroa.
A Comenda de Ansemil era poderosa. Tinha um capitão-mor e um sargento-mor, com cinco companhias de ordenanças - Ansemil, Ranhados, Boaldeia, Mortágua e Bustos - todos nomeados pelos comendadores. Dominava sete coutos em terras de Lafões e tinha bens em vários pontos do País, nomeadamente na cidade de Coimbra5.
Num período cruciante da História de Portugal, foi a Comenda de Ansemil palco de um acontecimento importante, pelo contexto em que se inseriu, e ficou conhecido por LEVANTAMENTO POPULAR DE ARCOZELO. Deve-se ao Professor António de Oliveira, da Universidade de Coimbra, a divulgação deste acontecimento6. Do seu trabalho nos servimos.
Corria o ano de 1635. Portugal estava sob o domínio de Espanha. O governo procurava por todas as formas obter receitas e decretou o pagamento de "hum donativo voluntario ". O povo estava já sobrecarregado pela carga fiscal. A cobrança do donativo correu bem em terras de Lafões, com excepção de Arcozelo, um dos coutos da vizinha Comenda de Ansemil, da qual, ao tempo, era comendador Frei Pedro de Araújo, que na Casa da Comenda vivia, juntamente com alguns familiares.
Em Julho de 1635, mandou o Corregedor de Viseu proceder à cobrança do imposto decretado. Quando o enviado do Corregedor chegou a Arcozelo, o povo, apoiado pelo Comendador, prendeu-o, recusou o pagamento e queimou o mandato. A recusa alastrou a outras aldeias da Comenda.
O Corregedor reenviou o "porteiro da correição", cobrador do imposto, que acabou por ser emparedado num curral de bois. "E - diz o auto lavrado- mandando elle corregedor a segunda hordem pello dito porteiro e por dous homens mais que vinhão em sua companhia, o ditto commendador os prendeu e mandou prender com muita gente armada e os meteo em sua casa em hua corte de bois e lhe mandou tapar a porta com pedra"7.
O Corregedor foi pessoalmente a Arcozelo "com seus officiães", a fim de dominar a rebelião e fazer a cobrança. "E chegando ontem a este ditto lugar mandou lançar pregão pello ditto porteiro da correição que nenhuma pessoa saisse pella manhãa de sua casa porquanto tinha que fazer com elles o pedido do donativo, e indo elle corregedor oje (26 de Julho de 1635) polla manhãa para o ditto efeito correndo as portas de todos elles não achou nenhum em casa e as portas fichadas por fora e muitos delles tambem trancados por dentro"8.
Quanto aos homens, nenhum apareceu. Pelos outeiros e caminhos tinham deixado espias, que vigiavam o Corregedor, que apenas os viu de longe, capitaneados por Pedro Lobato, filho bastardo do Comendador, e um seu irmão, Gaspar Lobato", com espingardas nas mãos". Outros barricaram-se na Casa da Comenda. Para lá se dirigiu o Corregedor, mas encontrou as portas trancadas. Apenas, numa das janelas, apareceu uma mulher, que foi encarregada de intimar Gaspar Lobato a comparecer numa ermida próxima, onde se esperaria que fossem pagar o donativo, enquanto se procedia à redacção do auto. Apareceu apenas um clérigo que disse ao Corregedor que fosse ele à Casa da Comenda.
A prudência do magistrado aconselhou-o a não se aproximar da Casa. Ali se encontravam "os dittos Gaspar Lobatto, e Pedro Lobatto amotinados com todos os homens destes lugares a sombra da caza da ditta comenda que he caza forte e de guerra com muitas seteiras no alto e no baixo para dahi ofenderem, e se defenderem (...) e porque elle corregedor se não achava com guente capas em numero para o prender nem seu officio era melitar senão o de justiça, e por hora se não fazia força a officiães della mandou fazer este auto"9. E o Corregedor regressou a Viseu sem cobrar o donativo.
Tudo consta do auto levantado, que se encontra na Torre do Tombo e foi publicado pelo Professor António de Oliveira.
O levantamento popular de Arcozelo, em 1635, insere-se no clima de descontentamento que grassava em todo o reino, contra o governo filipino, e vai ganhar maior amplitude com os motins de Évora de 1637, culminando com o 1.º de Dezembro de 1640.
Com o triunfo do liberalismo e a consequente extinção das Ordens Religiosas, a Comenda de Ansemil passou a fazer parte da Fazenda Nacional. As casas e a quinta foram-se degradando, até que, em 1984, foram adquiridas pelos actuais proprietários, que procederam a importantes obras de restauração e remodelação da casa.
Convertida em estância de turismo rural, ali se pratica agricultura biológica, especialmente na produção de vinho e frutas.

Concelho:  São Pedro do Sul

Torre de Vilharigues

A torre, ou castelo, de Vilharigues foi edificada nos finais do século XIII, estando possivelmente inserida no sistema defensivo das terras de Lafões, estruturado desde o século XI, que incluía várias torres senhoriais e atalaias dispersas pela região.
Os elementos estruturais que a constituem, como a presença de matacães, foram introduzidos na arquitectura militar portuguesa durante o reinado de D. Afonso III, e no reinado seguinte a arquitectura senhorial assimilou-os como signos de prestígio e poder.
De planta quadrangular, erigida sobre um podium , a torre encontra-se em avançado estado de ruína, subsistindo muito pouco da estrutura original.
Reconstituem-se duas das fachadas, uma com janela de mainel e parte de um balcão de sacada assente sobre quatro cachorros, outra com balcão ao qual se acede por porta rectangular.
O interior estaria dividido em três andares, sendo ainda visíveis os suportes murários dos pavimentos.

Concelho:  Vouzela

Igreja Matriz de Vouzela

A jóia mais preciosa do seu património histórico é a IGREJA MATRIZ, consagrada a Nossa Senhora da Assunção.
Documentos do século XI falam de um mosteiro -"monasterium" - ou basílica - "baseliga" - existente em Vouzela: "...Christus Domnis inuictissimis sanctisque martiribus ac triumphatoribus santorum martirum sancta maria et sancti Saluatoris et sancti michael archangeli cuius baseliga fundata est in uilla quos uocitant uaucella subtus mons aguto (Castelo) territorio alahouene (Lafões) discurrente ribulo uauga . Obinde ego famulus dei daui et matrona et cidi quasi frater indignum et peccatorem damus et concedimus..."45. Segue-se a descrição dos bens doados. O documento é datado de 1083.
Documentos pouco posteriores voltam a referir-se ao mosteiro de Vouzela. Entre eles, um de 1113, em que se lê: "nos omnes neptos et neptas de Cidi Davidz de illo monasterio de Vauzela"46. Por estes documentos se deduz que este Cidi Davi deve ter sido o fundador do mosteiro.
No século XIII, os termos "monasterio" e "baseliga" desaparecem e, em sua substituição, aparece sempre o termo "ecclesia", o que se deve à instituição das paróquias. Nas Inquirições de D. Afonso III (1258), um jurado, interrogado sobre o padroado da Igreja de Vouzela "dixit, quod illi, qui descendunt ex progenie de Zidyelo et de Domno Davy, sunt patroni, et presentaverunt eidem eclesie"47.
Quer se lhe chame "baseliga" (1083), "monasterio" (1113) ou "eclesia"(1258), a igreja mantém-se sempre na família daquele Domno Davi, o que nos fornece dados importantes sobre a origem da actual Igreja Matriz de Vouzela. Obras nela operadas, em diversas épocas, introduziram-lhe algumas alterações, mantendo-se, contudo, as características estruturais48.
É um magnífico templo, classificado como "Monumento Nacional", por Decreto n.º 8.216, de 29 de Junho de 1922.
A encimar o portal gótico e no florão central da abóbada da igreja está o brasão de armas dos Almeidas e, no muro lateral esquerdo, uma inscrição que assinala o túmulo de Fernão Lopes de Almeida e sua mulher.

Concelho:  Vouzela

Casa da Cavalaria

A denominada Casa da Cavalaria (Casa dos Almeidas) é actualmente propriedade da Santa Casa da Misericórdia de Vouzela, tendo-lhe sido legada em 1894, estando a funcionar como Unidade de Cuidados Continuados.
Para esta casa terá sido transferido o Hospital que foi inaugurado a 24 de Junho de 1894 pela Rainha D. Amélia.
Nas Inquirições de D. Afonso III (1258) se lê que, em Vouzela, existia "unam caballariam forariam Regis". Não se tratava de cavalarias de fidalgos, mas de cavalarias de origem popular, vulgares na Beira, simples quintas destinadas à manutenção de gente militar. Isso mesmo se vê nas Inquirições de 1288, que mais não fazem que confirmar as anteriores: "no loguar que chamã vouzela ha hua Cavalarya Dom?es lavradores que he Cavallarya del Rey".
Sabe-se, porém, que, em meados do século XIV, estava na posse de fidalgos, pois, em 15 de Outubro de 1358, foram confirmados a Gonçalo Mendes de Vasconcelos, alcaide-mor de Coimbra, privilégios que a propriedade já tinha. Nesta família se conservou até que, em 1497, foi vendida a Fernão Lopes de Almeida, com licença régia e confirmação dos privilégios antigos.
Uma carta, datada de 17 de Maio de 1497, serviu a Braamcamp Freire para contrariar a tradição de que na Casa da Cavalaria nasceu DUARTE DE ALMEIDA, o DECEPADO. Mas vai mais longe, afirmando que o herói de Toro não só não nasceu na Casa da Cavalaria, como não eram seus antepassados, nem talvez parentes próximos, os Almeidas donos dela.
De facto, se a Casa da Cavalaria entrou na posse dos Almeidas em 1497 e a batalha de Toro foi em 1476, não pode lá ter nascido o Decepado. Braamcamp inclina-se para que tenha nascido em Santarém, porque ali casou, viveu e teve propriedades.
Em 1497 os Almeidas de Vilharigues terão comprado a casa (quinta).
Nota: Em 1959 este edifício era ainda o Hospital, o letreiro em ferro trabalhado, dizia : "Asilo-Hospital"

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Capela de S. Frei Gil

CAPELA DE S. FREI GIL - com a sua frontaria em estilo D. João V. Nela se conserva e venera uma relíquia constituída pelo maxilar inferior do santo vouzelense. Foi a relíquia trazida para ali, em 1626, como pode ver-se por certidão dessa data, passada pelo prior do Convento de Santarém, na qual se diz que a cedência da relíquia foi pedida pelo Dr. António de Escovar de Tavares, que era corregedor de Santarém e natural de Vouzela, «daonde tambem o era o bemaventurado Padre sam frey Gil Religioso da Ordem do nosso Glorioso Patriarcha Sam Domingos, o qual esta sepultado neste Convento daonde foi Prelado».
Muito se tem escrito sobre S. FREI GIL, misturando-se, não poucas vezes, a realidade e a lenda. Almeida Garret, Eça de Queirós, Teófilo Braga, António Correia d´Oliveira, João Grave e outros, com mais ou menos fantasia literária, mais ou menos pormenores, todos envolveram a vida do santo numa atmosfera de maravilhoso sobrenatural e romanesco, a lembrar o «Fausto», de Goethe. Em troca da sabedoria e da sua iniciação na magia negra, Gil teria vendido a alma ao diabo, num pacto que selara com o próprio sangue. Depois dos maiores desvarios, desiludido da ciência, renunciara ao mundo, amortalhando-se no seio dos frades dominicanos. Este é o lado lendário da sua vida.
Mas, para além da auréola de sobrenatural, lenda e fantasia literária que envolvem a sua figura, certo é que S. Frei Gil foi vulto notável da cultura portuguesa e mesmo europeia do século XIII. Desde catedrático da Universidade de Paris, a Provincial da Ordem Dominicana.
In «Património Histórico-Cultural da Região de Lafões» - A. Nazaré Oliveira

Concelho:  Vouzela