18-10-2017

Personalidades Históricas


Jaime Gralheiro

Jaime Gaspar Gralheiro
Nasceu a 7 de Julho de 1930, no lugar de Macieira (faldas do S. Macário) da freguesia de Sul, concelho de S. Pedro do Sul. Licenciou-se em direito pela Universidade de Coimbra. Fixou-se em S. Pedro do Sul em 1956, onde, desde 1958, passou a exercer a profissão de advogado; aí iniciou também a sua actividade artística (dramaturgo e encenador) e, a partir do princípio da década de 60, uma intensa actividade política contra o Regime Salazarista . Em 1971, juntamente com José de Oliveira Barata, Manuela Cruzeiro e um grupo de jovens, fundou o “Cénico – Grupo de Teatro Popular” de S. Pedro do Sul. No “Cénico” montou, para além de algumas das suas próprias peças, obras de Lorca, Suassuna, Gil Vicente, Molière Dias Gomes e outros. A seu primeiro exercício teatral, a que deu o título de Feia (1950), foi escrito quando tinha 20 anos. Em 1967 publicou, em edição de autor, um volume (TEATRO) onde reuniu as suas três primeiras peças Paredes Nuas (1962), Belchior (1963) e Ramos Partidos, (1964), as quais, segundo a apreciação de Deniz-Jacinto, no prefácio, «tratam, em última análise, do problema da liberdade do indivíduo perante as inibições ou constrangimentos impostos pelo meio social».
Como político apoiou a apresentação da lista da Oposição Democrática pelo distrito de Viseu, em 1965, e integrou a lista de 1969.
Ao teatro de Jaime Gralheiro (desde a peça infantil Farruncha (1965), passando pelo conflito de ressonâncias pirandellianas, já com Brecht à mistura, pelo O Fosso (1967/68) e pela histórico-revolucionária Arraia-Miúda (1975), e pelo teatro popular de inspiração vicentina recriado, Na Barca com Mestre Gil (1973), até à versão teatral do romance de Manuel Tiago, Até Amanhã, Camaradas, sob o título de O Homem da Bicicleta (1977) e ao memorial do Tarrafal, Vieram Para Morrer (1978), ou à «revista dos feitos do século XVI», Onde Vaz, Luís? (1980), sem esquecer a sua Longa Marcha para o Esquecimento (1987) e O Grande Circo Ibérico (1996) parece aplicar-se com justeza a citação do famoso director teatral alemão Erwin Piscator que abre a colecção Teatro para as Quatro Estações, dirigida por Egito Gonçalves, da Editorial Inova: «O teatro de hoje, tal como eu o penso e pratico, não se pode limitar a produzir no espectador um efeito puramente artístico, ou seja, estético. [...] O teatro tem por missão intervir de uma maneira activa no curso dos acontecimentos, e preenche essa missão mostrando a história na sua evolução. [...] A missão do teatro de hoje não pode consistir apenas em relatar acontecimentos históricos, apresentados tal e qual. Deve tirar desses acontecimentos lições válidas para o presente, adquirir um valor de advertência mostrando relações políticas e sociais fundamentalmente verdadeiras, e tentar assim, na medida das suas forças, intervir no curso da história».
Foi o primeiro Presidente da Comissão Administrativa da CM de S. Pedro do Sul, após o 25 de Abril de 1974.
Para além das peças atrás referidas publicou uma de carácter infanto-juvenil E(h) Meu! (1998).
Das suas peças foram representadas no “Cénico” Na Barca com Mestre Gil, Arraia Miúda, O Homem da Bicicleta, D. Beltrão de Rebordão (inédita em livro), Onde Vaz. Luís? e E(h) Meu!
Recebeu, entre outros prémios, a Medalha de Mérito e Cultura do Ministério da Cultura; a Medalha de Instrução e Cultura da Federação Portuguesa das Colectividades de Cultura e Recreio; o Prémio de Carreira e a Medalha de Honra da Sociedade Portuguesa de Autores.
Em 2009 surpreendeu-nos com um grande painel em forma romanceada sobre os anos 60, a que pôs o título A Caminho do Nunca? ou Minha Loucura outros que me a tomem…


Bibliografia: Feia, s/l, 1951; O Fosso, Fundão, 1972; Arraia-Miúda, Porto, 1977; Na Barca com Mestre Gil: Recreação Dramática, Lisboa, 1978; Vieram Para Morrer, Lisboa, 1980; O Homem da Bicicleta, Lisboa, 1982; Onde Vaz, Luís?, Lisboa, 1983; O Grande Circo Ibérico, Lisboa, 1998, in Infopedia:

Concelho:  São Pedro do Sul

Isabel Silvestre

Isabel Silvestre (Manhouce, São Pedro do Sul), cantora portuguesa.

Professora do Ensino Primário, fundou em 1978 o Grupo Cantares e Trajes de Manhouce. Seria, contudo, em 1992, através da sua participação na música dos GNR, Pronúncia do Norte, que se daria a conhecer ao grande público. O seu primeiro álbum a solo foi produzido por João Gil e composto de várias canções populares, cujas raízes remontam aos locais onde cresceu. As suas músicas são pautadas da mesma simplicidade, naturalidade e força expressiva, sugerida pela cantora. O guitarrista Mário Delgado, que co-produziu este disco, teve na realização do disco uma influência notável. O trabalho de Isabel Silvestre parte da ideia de registar o canto de Manhouce e das terras da sua infância. Em Eu, na faixa Senhora da Saúde, a participação de Rão Kyao, dá voz a uma nova aposta no retrato para as gerações futuras da herança tradicional da região viseense.

Com Pedro Barroso e Vitorino, colaborou na campanha da Fenprof para colocar novamente a funcionar o sistema educativo timorense. No disco Uma Escola Para Timor, de 2000, são interpretadas canções do professor e músico Rui Moura. Ao lado de nomes como Sérgio Godinho, Mão Morta, Madredeus, Delfins participou no disco de homenagem à personalidade de António Variações. Participou ainda no CD Bom Jesus - Alegria dos Homens, produzido na Ilha da Madeira, com música popular religiosa. Com a Banda Futrica participou numa versão de Menino do Bairro Negro, incluída no disco Com Zeca No Coração, de 2007. Em 2006 lançou o álbum Cantar Além.

Em 10 de Junho de 2005 foi agraciada com a Ordem do Infante.

Colaborações:

  • GNR (1992) - Pronuncia do Norte

  • José Barros & Navegante (1999) - Silvaninha

  • Uma Escola Para Timor (2000) -

  • Bom Jesus - Alegria dos Homens

  • Banda Futrica (2007) - Menino do Bairro Negro

Bibliografia:

  • Memórias de um Povo

  • Cancioneiro Popular de Manhouce

  • Doçuras

Concelho:  São Pedro do Sul

David Almeida

David de Almeida nasceu em São Pedro do Sul, Portugal, no ano de 1945. Expõe individual e colectivamente desde 1970.

Frequentou a Escola António Arroio e o curso de Gravador e Litógrafo na Cooperativa de Gravadores Portugueses. Frequentou também o Atelier 17 em Paris, e a Goldsmiths University of London (Holography workshop), como bolseiro da Fundação Gulbenkian.

É habitual a sua participação em Feiras de Arte como a Artexpo - New york, LA – Los Angeles, Estampa e Arco – Madrid, Frankfurt, entre outras, e em Bienais Internacionais como a de São Paulo, Ljubljana, Cracóvia, Paris, São Francisco e outras.

Já recebeu prémios como a Medalha de Ouro da Associação de Gravadores Espanhóis - Madrid, 1977, o Prémio Nacional de Gravura 1980, Portugal, o Grande Prémio de Gravura na Bienal de Vila Nova de Cerveira de 1982, o Prémio de aquisição na III Exposição de Artes Plásticas da Fundação C. Gulbenkian, 1986, bem como o Prémio Nacional de Gravura – Museu de Gravura Espanhola Contemporânea – Espanha, no ano de 1999, uma Menção Honrosa – Prémio Nacional de Grabado – Calcografia Nacional/Phillip Morris – Madrid – Espanha, 2000.

Mais recentemente recebeu o Prémio Julio Prieto Nespereira, e uma Medalha de Bronze na VIII Bienal Internacional de Grabado Caixanova em 2004, na cidade de Ourense, Espanha.

Prémios

  • 1977 Medalha de Ouro da Associação de Gravadores Espanhóis, Madrid

  • 1980 Prémio Nacional de Gravura 1980, Portugal

  • 1982 Grande Prémio de Gravura na Bienal de Vila Nova de Cerveira 1982, Portugal

  • 1986 Prémio de Aquisição na III Exposição de Artes Plásticas da Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa

  • 1999 Prémio Nacional de Gravura - Museu de Gravura Espanhola Contemporânea, Espanha

  • 2000 Menção Honrosa do Prémio Nacional de Grabado - Calcografia Nacional/Phillip Morris, Madrid

  • 2004 Prémio Julio Prieto Nespereira - Medalha de Bronze, VIII Bienal Internacional de Grabado Caixanova, Ourense

  • 2006 Prémio Internacional de Arte Gráfico Jesús Núñez – Betanzos - A Coruña, Espanha

Concelho:  São Pedro do Sul

S. Frei Gil

Dom Gil Rodrigues de Valadares, também conhecido sob os nomes de São Frei Gil de Portugal, São Frei Gil de Vouzela, terra do seu nascimento, São Frei Gil de Santarém, local do seu falecimento, ou simplesmente São Frei Gil, foi um frade dominicano médico, taumaturgo, teólogo e pregador português dos séculos XII e XIII, canonizado pelo papa Bento XIV a 9 de Maio de 1748. É um dos santos portugueses com maior projecção nacional e internacional.

Nasceu na Quinta da Cavalaria (actual edifício da Santa Casa da Misericórdia local), em Vouzela, entre 1184 e 1190, sendo este último ano o dado como mais certo pelos historiadores, e morreu em Santarém a 14 de Maio de 1265. Nesta quinta afirma uma tradição ter também nascido o célebre alferes-mor do Reino Dom Duarte de Almeida, o Decepado.

São Frei Gil recebeu provavelmente a sua educação religiosa e intelectual no Mosteiro de Santa Cruz em Coimbra, a primeira escola de estudos superiores em Portugal, e doutorou-se posteriormente em Teologia na Universidade de Paris. Ao deixar a pátria, cerca de 1225, tinha já alguns benefícios e prebendas eclesiásticos e, quiçá, a dignidade de presbítero.

Sobre S. Fr. Gil e o seu percurso de vida teceram os séculos numerosas lendas e histórias. Há quem afirme que entregara a sua alma ao demónio na juventude, assinando um documento com o próprio sangue. Há quem acrescente que a sua conversão tivera início apenas na mesma cidade de Paris e se consumara em Palência, onde entrara na Ordem dos Pregadores.

Os seus restos mortais foram colocados em humilde sepultura monástica, até que seis anos mais tarde, D. Joana Dias, senhora de Atouguia, sua parente, custeou as despesas dum melhor túmulo numa das capelas do convento dominicano de Santarém.

A sua sepultura tornou-se lugar de peregrinação ao longo dos séculos; por sua intercessão e pela virtude das suas relíquias acredita-se terem sido operadas graças singulares e milagres que bem cedo levaram o povo a venerá-lo como santo. Depois da Guerra Civil portuguesa, em 1833, por ordem do então Governador-Civil de Santarém, Joaquim Augusto Burlamaqui Marecos, 1º barão e 1º visconde de Fonte Boa, seguindo instruções do novo Governo liberal, foi o egrégio convento dominicano de Santarém vendido e destruído ao desbarato, ali se tendo construído em seu lugar uma praça de toiros. Apenas alguns dos despojos arquitectónicos medievais foram salvos, encontrando-se actualmente reunidos em exposição ecléctica na capital do Ribatejo.

Do túmulo de S. Fr. Gil apenas resta a tampa com a estátua jacente, transferido para o Museu Arqueológico, no Museu do Carmo, em Lisboa. Recolheu-a das ruínas do que foi convento dominicano de Santarém o arqueólogo Possidónio Narciso da Silva.

São Frei Gil é o santo padroeiro da vila de Vouzela, em Portugal, sendo a sua festa antigamente celebrada a 14 de Maio. Hoje, depois da reforma litúrgica do Concílio Vaticano II, celebra-se a 15 do mesmo mês.

Concelho:  Vouzela

António Correia de Oliveira

António Corrêa d’Oliveira (São Pedro do Sul, 1878 — Antas, 1960) foi um poeta português. Estudou no seminário de Viseu, indo depois para Lisboa onde trabalhou como jornalista no Diário Ilustrado. Tendo casado com uma rica proprietária minhota, fixa-se na freguesia de Antas, concelho de Esposende, indo viver para uma quinta, ainda hoje existente, chamada Casa de Belinho. Devido a esta relação com o concelho de Esposende a antiga escola preparatória da cidade chama-se Escola EB 2 e 3 António Correia de Oliveira.

Grande poeta neogarrettista, foi um dos cantores do Saudosismo, juntamente com Teixeira de Pascoaes e outros. Ligado aos movimentos culturais do Integralismo Lusitano e da revista Águia, Atlântida, Ave Azul e Seara Nova.

Convictamente monárquico, transforma-se num dos poetas oficiosos do Estado Novo, com inúmeros textos escolhidos para os livros únicos de língua portuguesa do sistema de ensino primário e secundário. Foi o primeiro Português a ser nomeado para o prémio Nobel e a própria concorrente vencedora, Gabriela Mistral, declarou publicamente, no acto solene, que não merecia o prémio, estando presente o autor do “Verbo Ser e Verbo Amar”.

Algumas obras:

   Ladainha (1897)

   Cantigas (1902)

   Raiz (1903)

   Tentações de S. Frei Gil (1907)

   Dizeres do Povo (1911)

   A Minha Terra , 10 vol. (1915-1917)

   História Pequenina de Portugal Gigante (1940)

   Aljubarrota ao Luar (1944)

   Azinheira em Flor (1954)

O perfume

O que sou eu? – O Perfume,

Dizem os homens. – Serei.

Mas o que sou nem eu sei...

Sou uma sombra de lume!

Rasgo a aragem como um gume

De espada: Subi. Voei.

Onde passava, deixei

A essência que me resume.

Liberdade, eu me cativo:

Numa renda, um nada, eu vivo

Vida de Sonho e Verdade!

Passam os dias, e em vão!

– Eu sou a Recordação;

Sou mais, ainda: a Saudade.

António Correia de Oliveira

Concelho:  São Pedro do Sul

Aristides Amorim Girão

 

Aristides de Amorim Girão (nasceu em 1895, Fataunços, Vouzela- morreu em 1960) é um geógrafo português.

Formou-se na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Professor dessa mesma Faculdade, onde foi, por duas vezes, Director, fez o doutoramento em Ciências Geográficas em 1922.Foi, essencialmente, com base nos estudos de Amorim Girão, sobre a divisão regional de Portugal, que foi traçada a divisão administrativa do continente em províncias, levada a cabo em 1936.

Considerado uma autoridade científica no âmbito da Geografia de Portugal, colaborou em várias revistas eruditas, pertenceu a diversas agremiações científicas e participou em muitos congressos nacionais e internacionais. Deixou uma vasta obra, quer de material cartográfico, quer de monografias, da qual se destacam: Bacia do Vouga: estudo geográfico (dissertação de doutoramento); Lições de Geografia Humana; Geografia de Portugal e Atlas de Portugal.

Concelho:  Vouzela

António Nazaré Oliveira

 

António Nazaré Oliveira nasceu em S. Pedro do Sul, onde iniciou a sua carreira docente, no Colégio de S. Tomás de Aquino. Licenciou-se em Histórico-Filosóficas, com a dissertação “Lafões – Subsídios para a sua História”. Foi um dos fundadores e directores do Colégio de Santo Agostinho.
No jornal “Tribuna de Lafões”, publicou mais de uma centena de artigos sobre a história da região, com especial incidência no Concelho de S. Pedro do Sul. Na revista “Beira Alta” tem publicados vários trabalhos, alguns dos quais com edição autónoma posterior, com destaque para “A Rainha D. Amélia em S. Pedro do Sul (evocação centenária)”.
Colaborou nos livros “A Santa Casa da Misericórdia no Distrito de Viseu, nos 500 anos das Misericórdias Portuguesas” e “Um olhar sobre as Termas”.
É autor de vários contos, entre eles, “A Promessa”, incluído em “Contos Antologia”, edição da Câmara Municipal de S. Pedro do Sul e “O Escola”, 1º Prémio dos “Jogos Florais Escola 100 Anos”.

Editou também o livro: "Termas de S. Pedro do Sul"

Concelho:  São Pedro do Sul

Duarte de Almeida, o Decepado

Duarte de Almeida - o Decepado era filho de Pedro Lourenço de Almeida. Nascido em Vila Pouca de Aguiar, foi Alferes-mor de D. Afonso V de Portugal e tornou-se célebre pelo seu acto de valentia na Batalha de Toro, dada a 1 de Março de 1476.

O rei D. Afonso V apoiava o direito legitimo da sua sobrinha (e prevista esposa em segundas núpcias) ao trono castelhano, razão por que se deu a dita batalha. Duarte de Almeida estava responsável pelo estandarte real que defendeu incansavelmente mesmo depois de lhe terem cortado as mãos, segurando-o com os braços e com os dentes até ser aprisionado pelas tropas castelhanas. No fim da batalha, o Alferes-mor foi tratado em Espanha e só meses depois regressou a Portugal para viver com a família no Castelo de Vilarigas herdado do pai. Duarte de Almeida, apesar de todas as referências discretas e de ser homenageado quase apenas em Espanha, é um símbolo admirável e indiscutível de patriotismo para os portugueses em particular.

Alferes-mor de D. Afonso V, conhecido na história pela alcunha do Decepado. Era filho de Pedro Lourenço de Almeida. Na batalha de Toro, em 1 de Março de 1476, entre tropas portuguesas e castelhanas, em que tanto se distinguiu o príncipe D. João, depois o rei D. João II, praticaram-se actos de valentia e heroísmo; entre os guerreiros que se tornaram notáveis, conta-se Gonçalo Pires e Duarte de Almeida, o alferes-mor do rei, a quem estava confiado o estandarte real português. A luta foi enorme; as quatro grandes divisões castelhanas, vendo os seus em perigo, acudiram a auxiliá-los, ao mesmo tempo que o arcebispo de Toledo, o conde de Monsanto, o duque de Guimarães e o conde de Vila Real avançavam em socorro dos portugueses. Subjugados pela superioridade do número, os portugueses caíram em desordem, abandonando o pavilhão real. Imediatamente, inúmeras lanças e espadas o cobrem, e todos à porfia pretendem apoderar-se de semelhante troféu. Duarte de Almeida, num supremo esforço, envolto num turbilhão de lanças, empunha de novo a bandeira, e defende-a com heróica bravura. Uma cutilada corta-lhe a mão direita; indiferente à dor, empunha com a esquerda o estandarte confiado à sua Honra e lealdade; decepam-lhe também a mão esquerda; Duarte de Almeida, desesperado, toma o estandarte nos dentes, e rasgado, despedaçado, os olhos em fogo, resiste ainda, resiste sempre. Então os castelhanos o rodearam, e caiem às lançadas sobre o heróico alferes?mor, que afinal, cai moribundo. Os castelhanos apoderaram-se então da bandeira, mas Gonçalo Pires (V. este nome), conseguiu arrancá-la. Este acto de heroicidade foi admirado até pelos próprios inimigos. 

Duarte de Almeida foi conduzido semimorto para o acampamento castelhano, onde recebeu o primeiro curativo, sendo depois mandado para um Hospital de Castela. No fim de muitos meses, voltou à, pátria, e foi viver para o castelo de Vilarigas, que herdara de seu pai. Havia casado com D. Maria de Azevedo, filha do senhor da Lousã, Rodrigo Afonso Valente e de D. Leonor de Azevedo. Diz-se que Duarte de Almeida morreu na miséria e quase esquecido, apesar da sua valentia e bravura com que se houve na batalha de Toro, que lhe custou ficar inutilizado pela falta das suas mãos. Camilo Castelo Branco, porém, nas Noites de insónia, diz que o Decepado não acabara tão pobre como se dizia, porque além do castelo de Vilarigas, seu pai possuía outro na quinta da Cavalaria, e em quanto ele esteve na guerra, sua mulher havia herdado boa fortuna duma sua tia, chamada D. Inês Gomes de Avelar. D. Afonso V, um ano antes da batalha, estando em Samora, lhe fizera mercê, pelos seus grandes serviços, para ele e seus filhos, de um reguengo no concelho de Lafões.

Concelho:  Vouzela